"Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples."
Manuel Bandeira

[Sexta-feira]

O som da saudade silencia as estrelas (huhu)
Como se a eternidade chovesse sobre o mar
A volúpia de uma vela que o vento apaga (augusto dos anjos perde!!)
Quando o luar canta distante o vazio de te amar (oooooh!)

E sonho com o dia em que esqueço
Esse frio que é o teu olhar (ai meu cotovelo...)
E quão ardente é o canto da noite
Que cruelmente me abandona a chorar ("choram as rosaaaaas!...)

Mas se me atiras no coração
Todo esse rio de sentimentos (splash!)
Deixa-me ao menos partir
Te adorando em pensamento... (ento ento q grudento)


ps: huahuahua eu juro que tentei!! mas são tantas emoções juntas que não consegui me desviar das tentações! xDD só um Bandeira ou um Drummond pra conseguir uma façanha dessas...

©postado por Mi.Lá # 15:20
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Tá nas prateleiras! É só escolher, minha gente! - silêncio, chuva, noite, frio, estrelas, pensamento, sentimento, o mar, o luar, a saudade, metade, eternidade, viver, sofrer, sonhar, esquecer, partir, cantar, olhar, te ver, vinho, violão, vento, vela, vazio, volúpia, canção, coração, emoção, distante, ardente, cruelmente...e a lista é grande, infelizmente... hauwehuewhaua

©postado por Mi.Lá # 15:05
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[Quarta-feira]

Ele olhou pra mim. Dessa vez tenho certeza. Olhou até como se me enxergasse. Ele deve ter visto algo como um borrão, um respingo de tinta no quadro, sei lá. Como coisa que estivesse ali de intrusa, mas não fosse lá nenhum grande problema. É certo que precisou de alguns longos segundos. Era como se estivesse se dando conta de que eu ainda existia. Mas o que ele viu foram só ruínas, assim, sem passado nem chão, só o que sobrou de sabe-se-lá-o-quê-um-dia-foi. Depois, desviou e... olhou uma segunda vez! Todo mundo sabe que não se deve olhar mais de uma vez pra algo que não se dá importância (como quando a gente insiste em fitar a verruga no rosto de uma pessoa enquanto conversamos com ela). Não, isso não se faz. Caso contrário, poderia acabar derretendo o gelo que ele mesmo infundiu por todo esse tempo. É capaz até de este coração aqui querer voltar a funcionar, mas não me atrevo a permitir - não, porque eu sei muito bem que aqueles olhos me dariam as costas e iriam-se embora como se a vida pudesse continuar depois disso.

02.06.2009

©postado por Mi.Lá # 19:31
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[Domingo]

A pé

Ela descia a rua
Com uma mala
No coração
Perguntava-se
- Onde vou?
Não tinha mapa nas mãos
Dobrou a esquina
Como se entrasse
N'outro mundo
Com medo
De encontrá-lo,
Vagabundo,
O seu futuro
Vagueando
Sem lugar
Ou a casa
Em que nunca
Quis morar

- Não, isso não!
Convencia-se,
Afinal.
Mesmo não tendo
No bolso um plano
Que pudesse ser real
Prosseguia, e insistia
Que via o horizonte
Como se 'inda fosse dia

E porque tinha histórias
E graça e fôlego
Sempre dava um jeito
De continuar a pé
No vento, no tédio
Ou no passeio estreito
Enrolava-se no cachecol
Nos braços de alguém
No cobertor
E cortava caminho
E pisava em seu destino
Esmagava em desatino
Até que só lhe restasse
Compor
Passo a passo
Peregrino,
Com a inocência
Dissonante
De uma flor.

28.06.2009

©postado por Mi.Lá # 22:25
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[Sábado]

Às vezes, eu sou tão egoísta, egotista, egocêntrica, não sei bem..., que me assusta, sabe? Tem horas que mesmo pensando nos outros, no fim eu estou pensando em mim. Que idiota. Tenho tanto o que aprender...

©postado por Mi.Lá # 00:10
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beijo de uva silvestre
de poesia de mestre
de cigarro impregnado -
mãos aflitas ao meu lado -
de romantismo de beco
de som de violão seco
de vinho tinto molhado
e olhar desencontrado...

©postado por Mi.Lá # 03:45
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É preciso não esquecer nada

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles

©postado por Mi.Lá # 17:34
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[Quinta-feira]

Perdi o sono e o juízo. Todo aquele silêncio gritava aos meus ouvidos, como se o mundo dormisse pra que eu enfim pudesse respirar. Fitava o criado-mudo pensando se devia ou não. Mudo, surdo, mas nem por isso menos perverso, ele me dizia que sim, que se era preciso tudo parar pra que a coragem me tomasse, que assim fosse, então. Saltei em direção à janela, e vi que lá fora as estrelas choviam e cobriam todo o asfalto com diamantes. Ah! Se esta rua fosse minha! Ladrilhada já estava, só me faltava terminar a canção. Ouvi uma nota, e puxei a primeira gaveta. Arranquei-o pelo braço como do fundo de um baú – não tinha cordas, mas tinha acordes que há muito tempo esperavam por mim. E, na minha cabeça, já estava tudo pronto. Abri a porta do quarto e dei numa estrada vazia. As árvores cochilavam murchas à beira do caminho, mas no horizonte os montes pareciam carregar a riqueza de todas as estações. Já não sabia dizer se era dia ou se era noite, ou se era a trilha para algum coelho branco. Mas eu já sabia aonde queria chegar. Empunhei o violão e comecei uma melodia, enquanto andava sobre as listras amarelas com a dedicação e a alegria de quem caminha sobre um cabo de aço estendido entre os topos das torres do World Trade Center. Atrás de mim, as coisas ganhavam cores, as árvores despertavam, e todos os livros que já li e quis viver me seguiam a flutuar. Por que não?, eu sorria continuando meu caminho. Não precisava de um final feliz, nem queria que qualquer final chegasse tão rápido. Queria um meio, em que a história deixasse de ter medo de ser só história, e caísse da cama e acordasse na realidade. Queria um meio de andar por aí livre do peso dos olhares, dos passos tortos que deixei e da agonia dos que ainda não pisei. E pouco a pouco fui entrando pelo teu corredor, e minha música se tornava cada vez mais pungente, como aquelas fotografias penduradas nas paredes por que passava, onde as pessoas se abraçavam e se entendiam com a fluência sutil dos filmes – e não como se isso não existisse fora da película. Mas antes que alcançasse a fechadura, a porta se abriu diante de mim, e enquanto erguia o rosto esperando entrar no capítulo mais aguardado do meu sonho, meu coração foi se contorcendo e se dando conta da escuridão à minha volta. Era noite, tive certeza, e meu violão tinha perdido completamente o som. Foi quando meus olhos deram com os teus, ilegíveis, iniludíveis; dois pontos de luz no abismo da porta entreaberta. Todo o teu assombro, e todas as frases que nunca ousaste dizer, escondidos até então na delicadeza de um rosto gentil e inofensivo, rebentaram sobre mim com a força de um temporal que não podia evitar cair. Num instante, meu caminho se desfez e me deixou ali, na tua casa, de pijamas no corpo e de coração na mão, um coração que acabava de acordar e congelava como numa manhã inesperadamente fria. E quanto mais queria te enxergar, menos podia te encarar.

©postado por Mi.Lá # 19:45
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teu riso

escancara esse sabor
que 'inda não conheci
me rasga o pudor
mas não permite insistir
tem traços de uma cor
que não sei reconhecer
e tem algo de amor
que mata, sem saber.

©postado por Mi.Lá # 19:38
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[Sexta-feira]

©postado por Mi.Lá # 17:27
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[Quarta-feira]

********

levemente irritada. Junho, aliás, é um mês que me deixa meio assim, meio assada, facilmente irritável, com vontade de dizer não e não pra todo mundo e gritar comigo mesma e não querer prestar atenção no que Dani diz e me virar do avesso e passar o dia todo na cama sem despregar o olho. quer ver uma coisa? ano passado, foi em Junho que tomei raiva de seminário e joguei tudo pro alto e decidi que ia levar bomba em História III. ano retrasado, não vou nem dizer. tô naquele mês em que a gente se olha no espelho e se acha esquisito. as olheiras estão mais fundas, as espinhas estão mais na cara, a boca mais ressecada, o cabelo mais armado e o sorriso um pouco mais fraco. e aquela história de levar a vida de um jeito mais leve? pois é, espero não esquecer disso! talvez seja o frio, sei lá. se tem uma coisa que me irrita é ficar com o nariz ardendo por dentro de tão gelado e seco que está o ar. além do mais, eu tenho demorado mais pra acordar. de fato, me levanto tarde, mas ainda careço aí de umas boas horas até acordar de verdade. veja hoje, a pia estava encoberta de pratos e panelas. eu disse - Ah! eu não vou cozinhar hoje não. Ó paí ó!, e fui pra debaixo das cobertas ler algo sobre edição. Dani, ao contrário, resolveu guardar as compras que estavam tomando conta da mesa desde ontem, depois foi no UniãoServ comprar luvas de borracha e voltou pra lavar a louça! bom, depois eu tive que perguntar por que ela não lavou as panelas, já que achei que ela queria mesmo que eu fizesse o almoço. engano, fez isso simplesmente por fazer, e acabamos almoçando um strogonoff gostoso no restaurante aqui perto. mainhÊêÊ! vem logo que estamos precisando urgente da senhorita aqui em casa!!

©postado por Mi.Lá # 15:59
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[Terça-feira]

2 de Junho, 9°C São Carlos, SP

brrrrr.... convenhamos que na UFSCar a sensação é ainda pior, parece que todo o vento da cidade se concentra ali, especialmente no meu ponto de ônibus... anyway, if Winter comes, can Spring be far behind? -frase do poeta Percy B. Shelley. tô ficando culta, né!! hahweuhwuhauah nem eu me aguento... sabe o quê? assisti "O sexto sentido" com Dani na semana passada (não que tenha a ver com estar culta ou não haueheuah). nãaao, a gente nunca tinha visto! xD e é legal até! a gente se pocou de rir na hora do "I see dead people", sem falar do final, quando o Bruce Willis descobre que tá morto, como assim?! a gente fica Puxa, que dahora, mas logo logo se dá conta de que não faz sentido nenhum ele não ter percebido antes. enfim, não quer dizer que agora eu vá sair pegando filme de suspense/terror na locadora. tanta coisa mais divertida pra se ver! rs

aliás, tenho uma lista de filmes que eu PRECISO ver que só vai crescendo!! tô frita. mas uma coisa é verdade, eu estava lendo em algum site ou blog de literatura sobre a angústia que é saber que há tantos livros bons que TEMOS que ler, e ainda assim a gente vai morrer sem ler boa parte deles. é impossível!! assim como filmes e bandas de forró, eles se multiplicam que nem coelhos! tenho que aprender a conviver com isso. hoje eu tenho tempo, mas e depois? prevejo os dias em que eu vou chegar tão exausta em casa que nem vou conseguir me dedicar a essas coisas, vou acabar me rendendo ao que eu tanto abomino: esticar as pernas no sofá e ligar a velha TV. (falando nisso, a TV daqui de casa tá tão abandonada que ainda há pouco eu nem estava sabendo do tal avião que desapareceu no meio do mar...)

pois é, e a lista de filmes que tenho são de filmes que eu sei que consigo assistir, como os livros que eu leio as primeiras páginas e sei que servem pra mim. agora, e as coisas que eu só vou conseguir encarar na idade madura ou sei-lá-quando-for-isso? "Dom Quixote"? "Grande sertão veredas"? até mesmo alguns diretores, Kubrick, Glauber, Lars Von Trier (até o nome me assusta) ou o próprio Wong Kar Wai que apesar de ter me encantado ainda não consegui captar por inteiro... aiai... bom, pelo Chico eu já me apaixonei, então há esperança enfim! ^^, pronto, desafoguei. hora de enfrentar o frio e ir pra bendita aula!

©postado por Mi.Lá # 20:38
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[Segunda-feira]

o clima é de poesia, e estou descobrindo muita coisa nova (que é bastante velha, na verdade), e estou admirando mais e muitos, e desadmirando o modo como insisto em escrever mesmo tendo há tanto já passado dos 13 anos. aprendi um bocado com as conversas que tivemos com o grande Marcelino Freire, um pernambucano que descomplica tudo por onde passa, que sabe dizer o que faz um texto valer e o que fica sobrando. e eis aí minha recente descoberta: uma poetisa portuguesa que se foi em 2004 e que deixou muita coisa bonita. mais da obra dela em http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/sophia_m_b_andresen/poetas_sophiambandresen01.htm.

Poesia

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Sophia de Mello Breyner Andresen

©postado por Mi.Lá # 00:38
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[Quarta-feira]

* e, além do mais, é divertido :)

Namoro a cavalo

Eu moro em Catumbi. Mas a desgraça
Que rege minha vida malfadada,
Pôs lá no fim da rua do Catete
A minha Dulcinéia namorada.

Alugo ( três mil-réis) por uma tarde
Um cavalo de trote ( que esparrela!)
Só para erguer meus olhos suspirando
À minha namorada na janela...

Todo o meu ordenado vai-se em flores
E em lindas folhas de papel bordado,
Onde eu escrevo trêmulo, amoroso,
Algum verso bonito... mas furtado.

Morro pela menina, junto dela
Nem ouso suspirar de acanhamento...
Se ela quisesse eu acabava a história
Como toda comédia - em casamento...

Ontem tinha chovido... Que desgraça!
Eu ia a trote inglês ardendo em chama,
Mas lá vai senão quando uma carroça
Minhas roupas tafues encheu de lama...

Eu não desanimei! Se Dom Quixote
No Rocinante erguendo a larga espada
Nunca voltou de medo, eu, mais valente,
Fui mesmo sujo ver a namorada...

Mas eis que no passar pelo sobrado,
Onde habita nas lojas minha bela,
Por ver-me tão lodoso ela irritada
Bateu-me sobre as ventas a janela...

O cavalo ignorante de namoros
Entre dentes tomou a bofetada,
Arrepia-se, pula, e dá-me um tombo
Com pernas para o ar, sobre a calçada...

Dei ao diabo os namoros. Escovado
Meu chapéu que sofrera no pagode,
Dei de pernas corrido e cabisbaixo
E berrando de raiva como um bode.

Circunstância agravante. A calça inglesa
Rasgou-se no cair, de meio a meio,
O sangue pelas ventas me corria
Em paga do amoroso devaneio!...


Álvares de Azevedo

©postado por Mi.Lá # 17:06
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[Segunda-feira]

O que os olhos não vêem, o coração não sente -- dizem. Mas, e se os olhos vêem todo dia? Ah!, como maltrata o coração!..

©postado por Mi.Lá # 01:52
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[Quarta-feira]

Lira dos Vinte Anos (parte III)

Se o que escrevi até hoje fosse digno de páginas de um livro, assim como a lira do nosso amigo poeta, seria uma coisa tão ridiculamente distinta do que ele dizia que nem pareceria que morávamos no mesmo mundo. Sinto absolutamente pouco do que o Álvares escrevia. O contraste é enorme. Aos 20 anos e 7 meses, o nosso amigo morreria, daquele jeito byroniano, sentimental e cadavérico. Mas amo de paixão grande parte dos seus poemas, porque são sinceros e intensos, e feitos com a perfeição da métrica, verdadeiras obras de arte. Palavras que me despertam um carinho imenso e gotejam em meu sangue pequenas doses do que outrora foi a sua dor...

©postado por Mi.Lá # 13:27
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[Terça-feira]

Lira dos Vinte Anos (parte II)

São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor.
É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.
Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou — como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor — esses dois raios luminosos do coração de Deus.

Álvares de Azevedo - "Foi poeta, sonhou e amou na vida."

©postado por Mi.Lá # 11:01
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"Amigos de verdade são como as estrelas.
Às vezes, você não consegue vê-los, mas eles estão sempre lá."


Camilla Alves Rebouças
Camilla Rebouças



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