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[Domingo]
Peter Pan não é uma síndrome. É um pressentimento. É, de repente, um sentimento de fim, de que a Inocência está nos seus últimos dias de vida, doente e moribunda numa cama, sem ninguém tomando conta dela. E, sem ela, a vida em si e as pessoas que você conhece vão ficar mais cruas, e feias, e complicadas, e enroladas em seus próprios problemas. Faz vinte e três anos que eu fui jogada nesse lugar esquisito e eu ainda não entendi muito bem o que é que está acontecendo aqui. Ninguém sentou comigo pra explicar como seria. Nem que fosse só pra dizer que a infância era um castelo da Disney que seria destruído num piscar de olhos.
*
©postado por Mi.Lá #
1/8/2012 06:03:16 PM
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envitrinada.
Do riso da vitrine de papel brilhoso
Pouco sei. - pouco sei também como é
sê-lo, com todas as suas curvas
e todos os seus umbigos, realocados
blurizados - inventados -
com todas as suas acusações de perfeição.
Resisto à tentação de recortá-lo
E grudá-lo em mim com cola-bastão,
Com a permissão para refletir
no espelho que quiser
sem estar cometendo crime...
Mas, não. O riso antipático de ouro
Repulso e rasgo.
Nada respira no papel
abarrotado de pixels;
Nada é espontâneo e livre
numa spot de luz.
Folheio, e volto, e não encontro...
As páginas não mencionam
as brincadeiras e os tombos;
a graciosidade das infinitas
equações de um DNA;
Não tem o carimbo de nascença.
Não tem o orgânico, o orgulho,
o orgasmo ávido de viver, de comer, de esbarrar, se atirar!,
E voltar com o que quer que tenha vindo junto
Coerente e íntegro
Sem que nada o desconsidere...
- Aquele riso é assassino em série.
Invade os olhos que tenho
Com a visão de quem me não vê
E ocupa tapetes em vermelho
sussurrando perversamente
o que há de pior em você.
©postado por Mi.Lá #
12/4/2011 01:09:33 AM
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arritmia.
Voltei e, olhando mais atentamente, percebi que meu reflexo tinha se tornado o de outra pessoa. Uma versão beta de mim mesma, pouco ou nada segura, cheia de defeitos recorrentes. Um reflexo inflado que, para não murchar, precisava regularmente de aplausos e outras medicações; que uma vez por mês preferia morrer a descobrir-se só em seu apartamundo; que fazia promessas falsas a si mesma todas as noites em que o que realizava não era nada perto do que queria.
Eu ainda tinha um backup da versão anterior? Não me lembrava. Mas tinha tantas coisas intrincadas que seria uma tarefa divina restaurar tudo para o ponto original. Meu original sabia que sua própria existência era coisa misteriosa e bela, acima de tudo. Já esse clone mal feito não via nenhum motivo para ser ou durar, fingindo menosprezo quando na verdade tinha um medo imenso de estar estragando e emperrando tudo, medo de que qualquer outra pessoa pudesse fazer uma vida melhor do que a dele.
O reflexo que desaparecera do meu espelho tinha sorrisos guardados para todos os dias do ano. A versão corrompida e com vírus parecia que precisava economizar, que não teria o suficiente até o Natal se compartilhasse a alegria da alma toda vez que alguma coisa boa lhe acontecia. Muitos mal-intencionados fizeram-na chegar à conclusão de que não havia rede confiável. De que não havia nada confiável em seu mundo, de fato. Então eu me olhava no espelho e cavava olheiras profundas, e ensaiava os olhares mais adultos e inexpressivos que eu era capaz de fazer para usá-los ao longo do dia. E todos os dias eram longos. E as noites ardentes e úmidas demais para aqueles olhos que eu desconhecia. E o tempo inteiro uma sensação de arritmia, de que alguma coisa funcionava excepcionalmente errado dentro de mim.
Se o frio me fazia mal, mais ainda me faziam a cama e a coberta e os abraços. Tudo me incomodava. As conquistas, o prazer, a saudade, qualquer forma de simplicidade e espontaneidade que se podia ver em alguém. Eram apenas as causas que sugeriam o quanto era cruel existir num mundo tão contrastante, tão indiscriminadamente estúpido.
Eu quis não amar. Para não criar paradoxos. Para não ter que lidar com as imperfeições. Quis não resolver coisíssima nenhuma. Quis não aceitar avidacomoelaé. Quis jogar tudo foranolixo, minha casa, meus amigos, meus planos de carreira, meu bom senso; todo o inútil amor que continuava brotando sabe-se-lá como e por quê. No espelho, meu reflexo se tornava um vulcão e, antes que entrasse em erupção, eu o afoguei num sono repentino e profundo. Deitei quando o sol nascia e, quando me levantei, ele já tinha se cansado de me esperar.
Quis não sobreviver, mas não conseguia.
11-10-2011
©postado por Mi.Lá #
11/27/2011 11:22:30 PM
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[Segunda-feira]
Me sentindo estranha de novo. Mas também tão exausta... De voltar sempre no mesmo ponto da fita. Não adianta. Por mais que eu ignore, de repente eu me vejo lá outra vez. Me sentindo o único instrumento da orquestra que é incapaz de emitir qualquer som. Como se o meu mecanismo de percepção tivesse peças defeituosas. Já conheço essa sensação de cabo a rabo, conheço ela inteirinha em todos os seus sórdidos detalhes, sei da dor que ela embute no fundo da minha alma - e o não haver nada a fazer a respeito disso.
Quando vai chegar o dia em que eu vou poder me levantar da cama sem medo?
©postado por Mi.Lá #
8/8/2011 03:57:40 PM
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[Sexta-feira]
©postado por Mi.Lá #
7/29/2011 04:22:10 PM
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Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.
Sophia de Mello Breyner Andresen
©postado por Mi.Lá #
7/22/2011 04:12:36 PM
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[Domingo]
Meu estômago embrulhava como se tentasse digerir esterco. As mãos fracas, frias. A coragem às vezes me leva à desgraça. Como se tivesse atravessado uma linha invisível secreta e no minuto seguinte caísse da cama num outro lugar. Numa outra de mim e em outros todos. Numa vida estranhamente parecida com a de antes, e ao mesmo tempo extremamente diferente. E é tudo tão bizarro, e há todo esse sarcasmo escorrendo como veneno pelos vidros da janela, que não consigo nem pensar em sair lá fora pelas próximas décadas. Nem considerar a possibilidade de dar de cara com o amor logo na primeira esquina e ver em seus olhos aquilo em que ele se transformara. Detesto a forma como a vida vai se desintegrando na minha frente, partícula a partícula, me mostrando com seu ódio vilanesco a verruga no seu nariz, e todos os enganos dos sentidos e da alma que ela hospeda embaixo da sua capa negra.
©postado por Mi.Lá #
7/17/2011 09:16:20 PM
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[Segunda-feira]
*
quantas folhas perde a palmeira antes de ela crescer?
©postado por Mi.Lá #
7/4/2011 05:03:16 PM
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[Terça-feira]
©postado por Mi.Lá #
6/28/2011 04:48:04 AM
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Se a natureza apaixonada acorda
Ao quente afago do celeste amante,
Diz!... Quando em fogo o teu olhar transborda,
Não vês minh'alma reviver ovante?
É que teu riso me penetra n'alma --
Como a harmonia de uma orquestra santa --
É que teu riso tanta dor acalma...
Tanta descrença!.. Tanta angústia... Tanta!
Que eu digo ao ver teu celeste fronte:
"O céu consola toda dor que existe.
Deus fez a neve -- para o negro monte!
Deus fez a virgem -- para o bardo triste!"
Castro Alves
©postado por Mi.Lá #
6/28/2011 04:34:45 AM
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[Quarta-feira]
*
Matar o sonho é matarmo-nos.
É mutilar a nossa alma.
O sonho é o que temos de realmente nosso,
de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.
F. Pessoa
©postado por Mi.Lá #
6/22/2011 12:41:09 AM
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[Quinta-feira]
às vezes tenho ataques súbitos na alma. sinto meu coração borbulhando numa panela de água quente, na iminência de se desintegrar a qualquer momento. de repente, fica tudo muito claro. o espectro do Medo, do Quase!, piscando na minha visão periférica; o não acompanhar, o não corresponder, o não saber quando tenho sentido e quando não tenho - a estúpida incapacidade de acolher o que quer que seja importante pra que eu me sinta em paz. se até as pessoas mais próximas de mim são pequenas ilhas no meu arquipélago! não há comunicação direta com ninguém. e por isso é tão difícil me apoiar em qualquer ombro que me ofereçam. apesar de todo o resto do mundo ter um espelho, um rastro de semelhança, alguém com quem se pode concordar - se alguém tenta me acompanhar, ou eu acabo andando rápido demais, ou sou deixada para trás, ou, trágico, esquecida em alguma rodinha de conversa que se formou no meio do caminho. sigo por aí como uma nota que não forma acorde. uma cor que só pode ser usada sozinha. que não tem coerência com mais nada.
©postado por Mi.Lá #
6/16/2011 11:24:07 PM
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[Quarta-feira]
O ruído que me acalma
É todo aquele que posso discernir,
Não ser capaz de ouvi-los
É pior do que toda a algazarra do mundo.
©postado por Mi.Lá #
6/8/2011 12:53:44 PM
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[Segunda-feira]
Ouvi quando a noite caiu e foi um tombo feio. Abri a cortina para espiar, e lá estava ela. Esfriando, sem pulsação. Seu tombo pesou de cima a baixo no meu edifício. Não tive tempo de perguntar o que aconteceu. Parece que o dia perdera a paciência e... Bom, tudo o que eu tinha pra ver agora era esse buraco imenso e escuro, meio avermelhado pelo sangue que se espalhava, e nada mais se movia. Um silêncio cavernoso pairava sobre seu corpo, como se ela tivesse nos puxado junto com ela para o subterrâneo. E eu perdera a luz do dia em algum lugar de que eu não conseguia me lembrar. Minha alma nimiamente nervosa não podia suportar aquele instante. Que não era um instante, mas um conglomerado de momentos estáticos sem expectativa de coisa alguma, fantasmagóricos. Os pequenos focos de vida iam se apagando lá fora, um a um. Mas não havia marcação de compasso. Os minutos, assustados, fugiram para algum lugar onde ainda houvesse sol e palpitações. Os segundos, sonsos, se esconderam por aqui mesmo. E estavam por toda parte, mas sem dizer uma palavra. Nem respiravam. Não sabiam o que fazer fora do relógio. Percebi então, como uma machadada no coração, que as únicas que ficaram e mantiveram seu curso foram as horas. E elas passavam uma seguida da outra, sem que ninguém contasse o intervalo que havia entre elas. Alguém precisava pará-las, pelo amor de Deus! Com o coração aos berros, fechei a cortina tentando acalmá-lo, fazendo-o olhar para qualquer outra coisa. Para a casa que ainda tinha, para si mesmo. Em vão. A cortina se abriu sozinha e um sopro gélido adentrou minhas veias. Meu coração não aguentaria aquilo por muito tempo, pensei. Achei que estávamos seguros, até então. Tínhamos nos mudado para um apartamentozinho acolhedor (meu coração precisava caminhar, esticar as pernas, saber do que era capaz; e também reclamava da antiga casa, dizia que era grande demais e vinha muita gente e ele não sabia o que fazer com tudo aquilo). Ele era estupidamente frágil. Uma dondoca que teimava andar com sapatinhos de cristal entre a lamaceira do mundo. Naquele momento, pensei em voltar pra nossa casa. Lá temos tudo o que precisamos, eu disse a ele. Não vou sair nesse breu. Não tem que me faça. Ademais, quando chegarmos lá, teremos perdido tantas horas que vai se arrepender de não termos ficado aqui, ele retrucou. Uma mula. Ele não sabia o que estava falando. Ele se encantava com a noite, mas não nasceu pra viver com ela. Não nasceu pra viver nem comigo. Mas era a mim que ele tinha, e vivia me implorando pra que eu não dividisse nada que era nosso com ninguém. Eu insisti para que saíssemos assim mesmo. Quando chegássemos lá, ele não teria que se explicar muito, diria apenas o que quisesse. A nossa casa era construída num chão muito mais estável, fazia verão na maior parte do ano e fazia tudo por ele. Lá o relógio marcaria as horas certas. Ela era a mesma, com certeza, só estava um pouco longe – no espaço e na timeline - e isso impedia que ele a visse com clareza. Enfim, eu senti que já tinha visto tudo aquilo antes, o tombo, o frio, a clausura estúpida que ele montava em volta de si. Mas o que eu podia fazer diante de tanta teimosia? Como poderia ir se ele não fosse junto? Se antes ele queria ser só e inteiramente, “como sempre gostarei que seja”, eu dizia a ele, agora não sabia dar um passo sem mim. Só que eu já não queria viver enfurnada em minúsculos metros quadrados. Eu tinha conhecido algo muito melhor. Ele é quem não admitiria isso. Mas não havia tempo pra discutir. Eu já previa todos os sentimentos exaustivos que a queda da noite traria ao meu coração. E eu não podia deixar que se lascasse, que se cuidasse sozinho. Então, num suspiro compreensivo, enrolei-o numa colcha, joguei outra manta por cima e fechei bem a janela para que não se assustasse. Depois ele insistiu que eu voltasse aos meus afazeres, que o dia logo logo chegava e que eu não tinha todo o tempo do mundo. Concordei, sarcástica. Mais cedo ou mais tarde, ele veria o que eu tentava lhe dizer.
*
©postado por Mi.Lá #
6/6/2011 02:07:58 AM
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[Domingo]

©postado por Mi.Lá #
5/29/2011 07:39:53 PM
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[Sábado]
Do que somos feitos
A borboleta amarela ocupava bravamente seu espaço no trânsito. Como fosse grande, como fosse direito seu. Às vezes perdia o equilíbrio do vôo - quando um ônibus imenso se aproximava à esquerda, ela se afastava para o outro lado, correndo o risco de ser pega por um carro desavisado que obviamente não a enxergaria. Qualquer moto que passava em alta velocidade gerava um vento tão forte que a borboleta era levada em determinada direção e só podia lutar para não acabar se chocando contra o vidro dos carros. Tinha a impressão de que talvez ela nem soubesse no que estava se metendo. Mas, naquele momento, ela era a pérola junto aos porcos. Era um grãozinho de cristal num mundo de gigantes. E ela planava tão frágil e devagar que meus olhos a seguiam com uma intensa aflição. E, ao mesmo tempo, com uma compaixão dolorida de quem nada pode fazer para ajudar. E, ao mesmo tempo, ainda, com uma identificação agonizante. Nela eu vi as centenas de crianças aterrorizadas na escola, sem qualquer proteção, cada uma à sua própria sorte. Nela eu vi a impotência arriscadíssima com a qual convivemos todos os dias. Vi os 16 suicidas que passaram pelos olhos do motorista de metrô perturbado na sala de psicanálise. Vi as aglomerações disputando os bancos dos pontos de ônibus para não serem alcançadas pelas águas selvagens que corriam na avenida. Vi também a perseguição aos tiros no Parque Ibirapuera nas primeiras horas da manhã de um dia como qualquer outro. Vi outra vez aquela senhora de cabelos alvíssimos e passos fracos que caminhava pelas calçadas da madrugada de São Paulo. E tudo isso que eu vi se misturava com esperança e desespero, com a falta de entendimento de tudo e com a coragem de mesmo assim seguir em frente. De virar o rosto e olhar adiante, com os olhos secos e inanimados, com a inexpressão de um rosto que procura o tempo todo esquecer que viu a borboleta sendo engolida pela roda dianteira de um táxi no meio do trânsito.
©postado por Mi.Lá #
5/21/2011 01:18:23 PM
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[Quinta-feira]
. do que sabem as tuas retinas
melhor que o poema destrinchado no papel
é a palavra que desliza sob o nosso lençol
é o ouvir da tua boca as frases que tento o tempo todo construir
é fechar um capítulo com as últimas bobagens que você me diz antes de dormir
mais que o texto frágil e dissimulado
é o parágrafo que sabe exatamente aonde quer chegar
é o coração simples e certeiro
que se cala só para ouvir-se
- intrigado - a pulsar.
melhor que metaforizar
que interpretar ou dramatizar -
é o ter na minha frente o teu exato som e imagem
é fazer tuas as minhas façanhas
é fazer minha a tua bagagem -
para o inferno com as vírgulas!
com o intervalo entre os frames!
quero o deleite dos encontros
quero teu riso em minhas entranhas
quero os segundos em que nada acontece -
quero o ardor da tua retina a dilatar quando escurece.
ao invés de me escancarar do avesso
como a literatura ensina,
é o ter também um pouco de medo
do que sabem as tuas retinas
é o ter também um tanto de raiva -
porque mais que inventar sentidos, e receios, e enleios
é ver-te invadindo - tão seguro - os meus seios
é sentir de perto o afastar do teu peito
e tudo o que vem de você
de repente! -
este excesso de sede
no sugar os meus jeitos
no explorar meus defeitos
no inverter nossos lados
e encontrar-te, decorando-me,
com os olhos mais triviais
com as entrelinhas mais objetivas
entre tantas linhas mais...
mais intensa que um punhado de dúvidas
que a poesia me força a escrever,
é a absoluta certeza
de quando é filme,
de quando é história,
e de quando somos eu e você.
06-04-11
©postado por Mi.Lá #
4/7/2011 06:56:48 PM
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[Terça-feira]
* * *
meu rosto, quando entende -
fica mudo - o teu rosto,
é o ponto final de tudo.
©postado por Mi.Lá #
4/5/2011 06:36:19 PM
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[Sexta-feira]
II
O meu amor da vida está paralisado pelo teu sono
É como ave no ar veloz detida
Tudo em mim se cala para escutar o chão do teu regresso
[...] A luz espera teu perfil teu gesto
Tua inteligência tua argúcia teu riso
Como ondas do mar dançam em mim os pés do teu regresso..
^^
(Enquanto longe divagas, Sophia de Mello B. Andresen, junho de 1974)
©postado por Mi.Lá #
4/1/2011 06:09:26 PM
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[Quinta-feira]
as paredes são meus muros
deslizo os olhos pelos cômodos escuros
esta, enfim, é a minha casa.
de madrugada, sou sozinho
finjo não conhecer medo
nem relógio
nem o rosto que envelhece
em frente a uma tela, a uma janela
querendo ser gente
de nomes, de gostos e pré-moldados
de personalismos e insignificâncias
as paredes ainda são meus muros.
deslizo os minutos pelas cenas que não gostei
este, enfim, é o final pra tudo.
de olhos abertos, madrugo a vida
finjo já conhecê-la e, assim,
nem hesito
nem chego a conclusão nenhuma
a página em branco?
eu amasso, e desprezo
e quero sempre mais,
e quero sempre mais,
teimando em ser muito
aos olhos alheios,
e pouco demais
para os planos que invento -
cada vez menos
e maior,
como um balão inflado de ar.
22-10-2010
©postado por Mi.Lá #
3/31/2011 05:46:08 PM
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[Sábado]
Hoje acordei com vontade de me estraçalhar por inteiro. De forma que ninguém mais conseguisse juntar os pedaços. Diz, como posso entregar meu coração assim? Sem mais nem menos, sem desgarantia de nada? Queria mesmo é roubar teus olhos durante a noite e passar a madrugada acordada dissecando eles, compreendendo seus movimentos, seus instintos, e conhecendo cada nervo que conecta ao coração. O caos está propriamente em levá-los tão a sério. Em perceber que eles não enxergam um ponto final (que eu mesma poderia colocar em qualquer momento, só de raiva). E voltar ao quarto escuro como se nada tivesse acontecido, mas sofrer inteiramente sozinha ouvindo o tempo todo essas duas vozes que julgam ter o direito de comandar minha razão (apesar de ambas discutirem a meu favor, elas jamais vão chegar a um consenso). A agonia de estar entre um Fernando e um Pessoa, de definir se existe ou não comunicação possível, ou se conhecer um'outra alma é mais fácil que se aventurar com a sua própria. Mas o pior de tudo? Sentir-me à beira de me tornar uma mulher terrivelmente comum.
©postado por Mi.Lá #
3/19/2011 03:29:46 PM
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[Segunda-feira]
* * *
Ontem por algum mistério do universo se podia ver as estrelas no céu da Av. Paulista. Me fez sentir bem. Afinal, não é sempre que essa cidade resolve ser gentil com a gente. Vão fazer 4 semanas de tumulto e correria, de coisas muito legais também, mas que me deixam extremamente ansiosa porque ainda não tenho como acompanhá-las. Mas quarta-feira se Deus fizer o universo conspirar pra isso, terei finalmente uma decisão quanto a um lar tranquilo e com espaço para eu e meu computador (um filho que vai nascer em breve..). O rosto pipocado de espinhas. As pernas exaustas. A conta bancária estourada XD Mas tudo está valendo muitíssimo a pena. Mal posso esperar pra me dedicar inteiramente ao 3D! E ver passar essa tpm louca que deve piorar ainda mais pela quantidade de poluição do ar e pelo nível elevado da temperatura o dia inteiro. Recentemente tenho tido vontade de quebrar. Quebrar qualquer coisa. Nunca quebrei nada na vida. Pelo menos, nunca para aliviar a brabeza. (Não é possível que eu não tenha algum tipo de transtorno por causa disso.) Mas tenho mantido a compostura. De nada adianta cultivar raiva de um ser inanimado - uma coisa sem vida, cinza, saturada e absurda como é São Paulo.
©postado por Mi.Lá #
2/14/2011 03:59:29 PM
[recados]:

©postado por Mi.Lá #
2/14/2011 03:57:47 PM
[recados]:

Camilla Alves Rebouças Camilla Rebouças
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